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Thiago Schwennk
O batera e professor Thiago Schwennk teve seu primeiro contato com o instrumento aos 16 anos quando iniciou seus estudos no Musicanto (RJ) com o professor Felipe Alves (Toque no Altar), com quem aprendeu seus primeiros passos no instrumento. Buscando se aprimorar foi estudar com Jorge Casagrande, com quem aprendeu ritmos brasileiros e fez parte de sua Orquestra de Bateristas como caixista.
No ano de 2001 começou a dar aulas particulares de bateria no Rio de Janeiro. Em 2003 se tornou professor do IMC (Instituto Musical Caiaffa), escola ganhadora do prêmio Top of Mind na categoria de melhor escola de música da zona oeste (RJ). Em 2004 lecionou também na Oficina de Música Célio de Souza e no grêmio da EFOM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha - RJ).
Participou de bandas como Holokausthus e Box76 com quem teve oportunidade de tocar ao lado de grandes nomes do cenário gospel nacional, tais como: Oficina G3, Staurus, Kléber Lucas, Cassiane, Ellas, Novo Som, Renascer Praise, Toque no Altar, Dj Alpiste etc...
Atualmente é baterista da banda AuditivA, que está em fase de gravação do seu primeiro álbum. Leciona no IMC, dá aulas particulares de bateria e também atua como Free Lancer em shows e gravações.
Uma das coisas mais importantes na carreira de um músico são suas influências. Normalmente o que nos faz querer tocar um instrumento em particular é o fato de ouvir (e/ou ver) um músico detonando no palco, arrancando aplausos por sua performance, cheia de técnica e musicalidade. Não raro ficamos entusiasmados e tentamos copiar nosso ídolo, na tentativa desesperada de nos assemelharmos à ele. Quando comecei a me interessar por música fui muito influenciado por bandas de rock (meu estilo preferido até hoje) como Aerosmith, Metallica, Led Zeppelin e Rush. Ficava horas ouvindo os cds e tocando no ar, já que não tinha bateria, tentando copiar os movimentos de meus bateristas prediletos. Dentre todos os bateras que me influenciaram, cinco foram importantíssimos na minha formação: Joey Kramer, Ian Paice, Lars Ulrich, John Bonham e Neil Peart. Ouvindo esses bateras aprendi a respeitar a música e tocar interagindo com os outros músicos para dar suporte a melodia. Mesmo com todo o virtuosismo desses bateras, todos eles desempenham com maestria sua função primária que é acompanhar a música e ter um tempo sólido. O virtuosismo é um colorido a mais. Ouvindo esses caras aprendi a tirar som da bateria, a tocar "pra fora", com vontade. Hoje, alguns anos depois, já mais maduro musicalmente e com interesse em outros estilos, tais como: samba, reggae, funk, fusion e outros, ouço muitos outros bateristas que também são incríveis, cada um em seu estilo, não há como comparar quem é melhor ou pior. Isso não existe. Todos são ótimos músicos e cada um tem uma forma de tocar e se expressar, assim como dois pintores olham a mesma paisagem e retratam tudo de forma diferente, mesmo tendo as mesmas técnicas para pintar.
O lado ruim de ter uma grande influência de outro músico é o fato de muitas vezes matarmos nossa própria criatividade e tentar soar como nossos músicos preferidos. Isso não deve acontecer. Copiar as técnicas de outro baterista é importantíssimo. Traz muitos benefícios e nos ajuda a entender a música como um todo. Mas isso é necessário até um certo ponto do nosso aprendizado musical. A partir do ponto em que conseguimos dominar as técnicas e a linguagem dos estilos musicais em que somos solicitados para tocar devemos colocar a nossa personalidade em tudo o que fizermos. Isso nos diferenciará de outros músicos e então não seremos mais uma simples cópia. Teremos nossa própria voz e seremos respeitados como músicos, com nosso próprio som e nossa própria identidade. E isso é o mais importante!!!
Oi! Hoje vou falar um pouco sobre afinação de baterias, em especial a que costumo usar quando estou em estúdio. Citarei como exemplo a gravação do cd da Box76.
Nesta gravação usei uma batera Odery Master, com ton de 12 x10", surdos de 14 x 14", 16 x 16", caixa Pearl Steel Shell de aço inoxdável de 14 x 5,1/2" e bumbo de 22 x 18". As peles foram Michael (caixa) e as que acompanham a bateria também da Odery de filme simples transparente nos demais tambores.
Geralmente nesses casos em que o estilo é pesado, com guitarras distorcidas, costumo gravar com os tambores afinados em tons graves, meio frouxos na pele batedeira (de cima) e esticar a pele resposta (de baixo) um pouquinho mais para obter sustain e destaque no timbre dos tambores. As peles de filme simples transparentes ou porosas ficam melhores para gravar em estúdio porque deixam o som mais vivo e "livre". Nessa hora é preciso cuidado para não afrouxar muito a batedeira e ficar com aquela som morto e sem ataque. Com esse procedimento, consigo um som mais quente, redondo e pesado que se ajusta perfeitamente com o som da banda, sem sobressair ou embolar com os graves dos outros instrumentos. Uso tons na medida padrão (12 x 10", 14 x 14", 16 x 16") porque com eles consigo "engordar" o som com facilidade. Tambores menores, como 8" ou 10", são ótimos para quem deseja um som mais vivo, colorido e com maior definição sonora. Muito bacana para o fusion, por exemplo.
Com relação a caixa e bumbo uso um procedimento diferenciado. Costumo esticar a pele batedeira da caixa para obter um rebote maior e mantenho a pele de resposta um pouco mais frouxa, com a esteira levemente solta, ainda fique com aquele "buzz". Descobri que nas gravações esse "buzz" é atenuado pelo efeito dos outros instrumentos e faz com que a caixa fique "maior". Uma caixa com as peles e esteira muito apertadas pode dar a impressão que a gente está tocando uma latinha e deixar o som da batera bem caidinho.
No bumbo mantenho uma afinação grave e abafada. Em geral uso a pele batedeira bem frouxa para conseguir um Kick maior. Uma pequena almofada dentro do bumbo encostando nas peles e abaixo da linha do batedor deixam o som incrível. Algumas vezes gravo também sem a pele resposta. Nesse caso costumo usar uma almofada um pouco maior, encostando bem no ponto do batedor. O som fica bem seco e é muito bom para estios mais rápidos, com boa aplicação para pedal duplo.
Em estilos mais leves como samba e pop podemos usar a pele batedeira um pouco mais esticada e usar um batedor de feltro. Assim o resultado sonoro será mais aveludado e as peles porosas de filme simples caem muito bem nesses estilos musicais.
Em casa para estudar e praticar uso peles Double Clear Luen em todos os tambores e porosa na caixa. Uso também uma almofada grande abafando as duas peles do bumbo para deixar o som mais seco. As medidas são 12 x 10", 13 x 11", 16x 16", 22 x 16" , 14 x 5,1/2".
Acima a foto do kit Odery Master que usei na gravação da Box76.
Recentemente em uma revista especializada, saiu um artigo que falava sobre o poder curativo da música, em especial sobre os tambores e sua energia. Este artigo evidenciava o fato do som dos tambores sempre ter sido usado como fonte de energia curativa, terapêutica, medicinal.
No nosso mundo moderno e digital, se afunilam as oportunidades. Em consequência disto estamos sempre correndo para atingir metas e superar espectativas. O estresse, a depressão, a baixa auto-estima e o medo são reais. O fantasma inevitável de tornar-se um ser humano fracassado também. É preciso conviver com ele diariamente. Não basta ser bom. É preciso ser o melhor e ainda matar dez leões por dia.
Neste mundo louco, vivemos sob intensa carga de informação, em sua maioria negativas, fato que tem ajudado a aumentar, e muito, a incidência de doenças psicossomáticas (aquelas em que há algum componente psíquico em sua origem). É justamente aí que entram a música e o aprendizado musical, especialmente dos instrumentos de percussão.
A música, em toda sua amplitude, tem o poder de curar o corpo físico através de seu interior. Recentes pesquisas encomendadas por uma grande indústria de baterias, constataram que, ao ouvir certas combinações melódicas, acompanhadas de ritmos fortes, o cérebro humano se liberta da tensão, fazendo com que o indivíduo sinta uma sensação de relaxamento e consequentemen um aumento de sua auto-estima. A mesma pesquisa revelou que pessoas que tocam instrumentos de percussão, especialmente bateria, conseguem extravazar com maior facilidade seus sentimentos e tornam-se mais sociáveis. Por esta razão vemos que os bateristas e percussionistas são, em sua maioria, as pessoas mais extrovertidas e sociáveis de suas respectivas bandas, conseguindo com maior facilidade se comunicar e expressar seus sentimentos. O mais surpreendente de tudo foi a seguinte constatação: o fato de tocar bateria ou percussão é comparado ao bom humor. Isto porque tocar bateria ou percussão e o bom humor, fazem com que o organismo humano libere substâncias conhecidas como Natural Killers, que tornam as pessoas mais imune às doenças, inclusive ao câncer.
E qual a nossa responsabilidade como bateristas galera? Tocar, estudar sempre e fazer sempre o melhor que pudermos para passar esta energia para as pessoas e transmitir com clareza nossos conhecimentos sobre esta grande arte e ciência que é tocar e poder expressar nossos sentimentos através da bateria e/ou percussão, fazendo assim a nossa parte para um mundo melhor e mais justo!
Um grande abraço à todos!!!
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